terça-feira, 25 de julho de 2017

Cantos





Toda casa tem um canto especial - geograficamente, e também um canto que soa aos ouvidos de quem entra. Se somos sensíveis, logo identificamos os cantos de uma casa (ambos: o geográfico e o sonoro). Há lugares que nos acolhem e nos abraçam, enquanto outros nos repelem; uma casa é feita de cores, objetos, sons, luzes, sombras. Mas principalmente, uma casa é feita de energia.

E de onde vem essa energia? Principalmente, de nós próprios. Ela vem de dentro da gente, nós a emanamos e ela deita sobre as coisas, afetando o ambiente. Um local onde acaba de haver uma briga, por exemplo, fica como que infectado por partículas de energia pesada. Li uma vez que a fim de dispersar tais energias, é bom queimar um bulbo de cebola. 

Apesar de gostar muito de rock, principalmente quando estou fazendo uma limpeza mais pesada e detalhada, ouvi dizer que não faz bem escutar certos tipos de música. Mas eu vou lá no meu aparelho de som, escolho a playlist com rock para despertar o que estiver encruado, e após a limpeza, acendo uma varetinha de incenso e coloco uma música bem suave. Acho que se a gente souber o que a letra de uma música diz, não há tanto problema. algumas músicas são mais barulhentas, mas inofensivas. 

Saibamos cuidar dos cantos da nossa casa. E isso nada tem a ver com o quão luxuosa ou bem decorada ela é. Tem a ver com quanto amor colocamos dentro dela, quantos silêncios tranquilos, quanto aconchego.










quinta-feira, 13 de julho de 2017

Relógios





Meu sogro tinha mania de relógios, e acho que eu também. Só na minha salinha de aula, tenho dois; tenho também um no corredor do andar inferior, outro no corredor do andar superior, outro na cozinha, um na área de serviço, e outro na sala de estar...e um em cada quarto de dormir. Ao todo, são 9. Se me perguntarem porque, direi que eu gosto de saber que horas são...

Historiadores crêem que o primeiro relógio foi criado na Judéia, por volta de 600 A.C. Era um relógio de sol. Pena que ele não funcionava à noite, e nem quando chovia ou estava nublado! Depois, vieram as ampulhetas, mas creio que não eram muito precisas... e um tanto grandes para se carregar de lá para cá!

Mais tarde, vieram os relógios de pêndulo (aperfeiçoado por Galileu), de bolso (inventado por Pedro Heilen, por volta de 1500 em Nuremberg)  e de pulso (alguns crêem que foi inventado por Santos Dumont, mas na verdade, foi Patek Philippe, no final do século XIX quem o inventou... mas há controversas). 

Não gosto muito de relógios de pulso. Mas adoro os relógios de parede! Adoraria ter um daqueles relógios cuco, dos quais sai um passarinho ao soar das horas. Amo escutar o tique-taque dos meus relógios enquanto ando pela casa à noite, quando tudo está em silêncio. Dá a impressão de que tudo está certo, que as coisas vão bem. O tempo não parou, e o mundo continua girando.

Também sou daquelas que ama dormir escutando um relógio barulhento, enquanto a maioria das pessoas que conheço sentem-se incomodadas por tal ruído. Tenho a impressão, ao dormir ouvindo o barulho do relógio, que estou sendo hipnotizada aos poucos por Morfeu. 

Dá uma paz de espírito...











terça-feira, 11 de julho de 2017

LAR








Lar.

A casa da gente. O lugar onde estão as ferramentas que usamos para escrever a nossa história. Nosso local de descanso e recuperação. Nenhum lugar no mundo poderá ser chamado assim, ou ser sentido desta forma. 

Estive pesquisando a origem da palavra "LAR": Do latim Lar, Laris (espírito protetor da casa e da família). Achei linda essa palavra! 

Na antiga Roma, Lares eram espíritos que habitavam uma casa, e que poderiam proteger ou prejudicar os seus moradores. Havia o Espírito Vesta, advindo do fogo - muito importante nos antigos lares romanos, onde mantinha-se  o fogo sempre aceso, a fim de agregar as pessoas ao seu redor. As oferendas aos deuses - comida, sangue, vinho, etc..., - eram colocados diante do fogo.

Sobre os Lares, achei este trechinho na Wikipedia, e trago para vocês:

Na comédia Aulularia de Plauto (c. 230-180 a.C.), pode-se perceber o papel dos Lares no ambiente da família:

"Eu sou o Lar da família que mora na casa
donde me vistes sair.
É esta a casa que eu habito já há muitos anos e é ela que eu tenho protegido,
Tanto para o pai, como para o avô, daquele mesmo que hoje a possui." 

Bonito, não?

Existem várias entidades, ou espíritos, considerados espíritos do lar, tanto para o interior quanto para o exterior da casa. Quem desejar saber mais sobre eles, basta ir até o site Acampamento Júpiter: http://aj-rpg.weebly.com/lares.html

Os espíritas acreditam que alguns espíritos permanecem nos lugares após a morte de pessoas, e passam a assombrá-los ou tornam-se espíritos protetores. Na Bahia, acredita-se em 'Famaliás', ou 'espíritos familiares.' Os tais demônios das garrafas, que podem conceder desejos aos seus 'amos.' 

Mas quer você acredite ou não nos Lares como espíritos, tenho certeza de que você concordará comigo nesta afirmação, que embora seja um clichè, é a mais pura verdade: Não existe nenhum lugar como o lar. There's no place like home.









quarta-feira, 5 de julho de 2017

Baixas Temperaturas








Finalmente, um inverno para chamar de meu! Eu já estava com saudades dos invernos petropolitanos. Ficava pensando que o aquecimento global estava realmente acabando com tudo... só que não! 

Hora de desengavetar cachecóis, mantas, meias e blusas de lã. Hora de engraxar as botas e os sapatos acolchoados por dentro. 

Hora também de pensar naqueles que não têm nada disso. Já fez uma geral no seu armário a fim de escolher algumas peças para doação? Se ainda não, já passou da hora. 

Mas além do frio, há outras coisas que me agradam no inverno; as roupas macias e quentinhas, estar enrolada nelas, me faz sentir bem. Sem contar que eu faço as coisas na casa sem me sentir cansada, e sem o inconveniente do suor!

 O inverno também é o tempo da escuridão - que se faz notar mais nos países europeus do que por aqui, onde os dias também são mais curtos nessa época, só que não tanto quanto lá. A escuridão nos leva a desacelerar mais cedo. Hoje, às cinco da tarde, já estava escuro por aqui. Hora de fechar as janelas e trancar a casa. E enquanto eu seguro uma enorme xícara de chá quente entre as mãos, para aquecê-las, eu olho o dia terminando e começo a me lembrar de uma porção de coisas... 

E a planejar outras. Porque o frio nos leva à reflexão. Não tem aquela intensidade frenética - ou aquele frenesi intenso - do verão. Hora de nos enroscarmos em alguma cama ou poltrona. Uma época em que o tique-taque dos relógios da casa parecem soar mais alto.

Adoro. E você?




quarta-feira, 28 de junho de 2017

Animais em Casa

Minha coisa mais fofa: Mootley!


Já escrevi, certa vez, sobre ter cães em casa. Desde que eu me lembro, tive cães - a não ser em um período que morei em um apartamento, assim que casei, e que durou sete anos. Lembro-me do quanto eu me sentia frustrada por não poder ter cães ou um pedacinho de terra para plantar... mesmo assim, gostava do lugar onde morava. 

Acredito que interagir com animais só pode nos trazer vantagens. Já foi cientificamente comprovado que eles ajudam na cura de várias doenças, pois sua presença sempre alegre e festiva auxilia pacientes em tratamento e portadores de deficiências físicas. A TAA (Terapia Assistida por Animais), segundo Laís Milani, psicóloga e membro da diretoria da área de Terapia Assistida por Animais do Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais (Inataa), consiste em tratamentos na área da saúde, onde um animal é co-terapeuta e auxilia o paciente a atingir os objetivos propostos para o tratamento.

Leona: carinha de boazinha, mas como toma conta do quintal!

Mas isto não é tudo: cães e gatos são grandes companheiros: inteligentes e sensíveis, eles podem captar as nossas energias e saber se estamos tristes, alegres, nervosos, amedrontados ou tranquilos. Não podemos nos esquecer que, como nós, os animais também sentem todas as emoções que sentimos. Precisamos fazer o nosso melhor para que eles se sintam seguros, amados, felizes e calmos. Os animais de estimação alegram a casa!

Porém, quanto aos pássaros, prefiro-os soltos voando no céu, pousando nas árvores e sendo felizes como devem ser: livres! Sem asas cortadas, sem gaiolas e sem correntinhas nos pés. 

Nunca tive passarinhos em gaiolas. Mas sempre tive a presença deles na minha vida.


Às vezes, ao deparar com postagens na internet sobre pessoas que abandonam ou maltratam seus animais, eu me pergunto como isso pode acontecer. Como não criar laços afetivos com uma criatura que participa, todos os dias, das nossas vidas? Acredito que pessoas que agem desta forma, podem vir a maltratar também outros seres humanos. Ninguém é obrigado a gostar de animais ou a conviver com eles, mas uma vez que escolhemos ter um bichinho, nos tornamos responsáveis pelo seu bem estar e segurança. Pelo resto da vida!

E se você não gosta, pelo menos, não os maltrate! Entenda que eles são seres sensíveis, também sentem dor, medo, tristeza, estresse e todas as emoções que os humanos sentem. 




quarta-feira, 21 de junho de 2017

A Roupa Mofada





Há vários anos, dei de presente ao meu marido uma camisa lindíssima, de marca, e muito cara - dividi em várias prestações... ela é branca, e bordada de branco. Realmente linda. Ele a usou poucas vezes; há alguns dias, ela estava na pilha de roupas para lavar, e fiquei intrigada, pois ele não há usava há anos! Quando a peguei para lavar, a gola e parte da pala estavam totalmente manchadas de mofo - manchas amarelo-escuras espalhadas pelo tecido. 

Meu coração murchou! Como fazer para tirar as manchas? Lavei-a com alvejante, mas não adiantou; então, peguei sabão de coco e alvejante puro e esfreguei a gola e as partes mofadas, colocando a camisa ao sol. melhorou bastante! Saiu quase tudo. Não creio que ela um dia será a mesma... 😞 mas dá para usar.

Meu marido é assim: do contra. Sempre que ganha um presente do qual realmente gosta, ele quase nunca o usa! Eu sou diferente: se puder sair da loja usando a roupa ou o sapato novo, eu saio. Não guardo nada para usar depois. Sei lá se amanhã estarei viva!




Eu disse a ele que é bem melhor perdermos uma boa roupa porque a usamos muito e ela foi lavada muitas vezes, do que perdê-la sem usar. Quase sempre, há alguma coisa do meu marido na pilha de roupas para lavar, não por estar sujo, mas por estar cheirando a mofo ou manchado de ficar guardado tempo demais. Houve algumas peças que lavei várias vezes sem que ele as tenha usado uma única vez. Moramos em uma cidade fria e úmida, e não é nada fácil manter um armário cheio de roupas sem que elas dêem cheiro... 

Pesquisando, acabei descobrindo algumas dicas úteis para tirar mofo ou cheiro de mofo:

-Água e vinagre de maçã. Passe em sapatos e casacos de couro, e deixe arejar. 

-Dizem que cal e giz escolar envolvidos em saquinhos de pano e colocados em vários locais no armário também ajuda. 

-Há produtos no mercado - caixinhas que absorvem a umidade dos locais onde são colocadas. Já usei, mas sinceramente, apesar de vê-las cheias de líquido alguns dias depois, o mofo não diminuiu em nada. Mas quem quiser tentar...

-Quanto às roupas, podemos colocá-las para arejar, o que até dá um certo alívio no cheiro, mas ele só vai sair realmente depois que você eliminar os esporos de mofo, ou seja: lavando com vinagre branco ou algum produto especial!

A melhor coisa, é não deixar mofar! Tem roupas demais? Faça uma faxina geral no armário, e doe para quem precisa! Mantenha somente as peças que você realmente usa, e deixe as portas abertas de vez em quando, ou ponha as roupas em locais arejados durante algumas horas, se você tiver tempo de fazer isso - eu não tenho, infelizmente.

As coisas são feitas para serem usadas. As energias precisam circular  e se renovar!




terça-feira, 13 de junho de 2017

Na Casa da Gente, na Mente da Gente







A vida da gente deveria ser exatamente como a casa da gente: só entra o que a gente gosta. Mas como precisamos ter os olhos abertos, a vida da gente acaba cheia de coisas que não gostaríamos de ver; e quando percebemos, é tarde: já vimos!

Como lidar com as coisas que entram assim na vida da gente, pela janela? Algumas delas precisamos enxotar. Mas não sem antes dar uma boa olhada, porque se entrou, talvez tenha sido necessário entrar. Já repararam que a gente aprende muito mais através dos acontecimentos ruins do que dos acontecimentos bons? Pois é. 

De repente, escutamos algo - uma indireta, um comentário maldoso, ou então somos vítimas de um olhar atravessado ou de uma indiferença inesperada. Na hora, podemos não dar tanta importância, mas quando estamos sós, começamos a pensar naquilo e a nos indagar: por que? E esses pensamentos tristes ficam ali, contaminando tudo, e nos tornamos mau humorados sem nem sabermos direito o motivo.

Alguém me disse que é muito mais fácil ficar lembrando do que foi ruim, prestando atenção às injúrias que nos fazem, do que se concentrar em coisas boas. Acredito que seja verdade, e que haja um bom motivo para isso: é que ninguém está aqui apenas a passeio. As coisas ruins acontecem para que nós aprendamos através delas a ter mais serenidade. Só se valoriza a paz conhecendo o desespero. Essa felicidade imaculada de Facebook não existe. E se existisse, seria absurdamente chata.





A casa da gente precisa ser limpa de vez em quando. Para isso, precisamos colocar a mão na massa: mover móveis pesados de seus lugares, aspirar, tirar o pó, passar pano úmido... dá trabalho. Da mesma forma, dá trabalho limparmos as nossas vidas do que é ruim e sujo, e só conseguiremos fazer isso se olharmos para a sujeira também. 

Quem limpa a casa de olhos fechados acaba deixando muita sujeira espalhada. É preciso abrir bem os olhos. Pode ser que, ao terminarmos, nós estejamos sujos e suados. Então, vamos tomar um bom banho e descansar. 

De vez em quando, eu olho para  a minha vida (geralmente, quando começo a me sentir incomodada com alguma coisa, ou pesada e entediada) e começo a fazer uma boa limpeza nos meus pensamentos, sentimentos, lembranças, e até mesmo em pessoas cujo único objetivo é me colocar para baixo. Para isso, vale até um ritual:

Escrevo em um papel tudo o que está me incomodando, e penso bastante no porquê de estas coisas estarem me incomodando. Tento entender por que permiti que elas entrassem, e por que elas estão ali até agora. Depois, me imagino tirando essas coisas que me incomodam da minha vida. Acendo uma vela, ou um incenso, mentalizando que elas estão desaparecendo. Finalmente, queimo o papel onde as escrevi.

De vez em quando, eu preciso fazer isso. Logo depois, é como se tivesse tirado um peso enorme dos ombros.





terça-feira, 6 de junho de 2017

NEVERLAND





“Mesmo em casa me sinto sozinho. Às vezes sento no meu quarto e choro. É tão difícil fazer amizades, e há coisas que não se pode falar com seus pais. Às vezes ando pela vizinhança durante a noite, esperando encontrar alguém pra conversar, mas sempre acabo voltando pra casa.” 
― Michael Jackson

Este pensamento de Michael Jackson foi pescado por mim na internet. Procurava sobre algo em que eu pudesse me inspirar para escrever uma postagem. - Pensamentos sobre casas. E deparei com essa confissão tão pungente, tão triste...





Não sei a verdade sobre este grande artista pop - alguns dizem que ele era excêntrico e tinha gostos estranhos, mas eu tenho cá as minhas desconfianças... na verdade, muitas vezes pensamos que sabemos tudo a respeito de alguém, quando não sabemos nem o que se encontra na superfície das pessoas. Basta uma palavra amarga e maldosa dirigida a alguém, em voz alta, acompanhada de um dedo em riste, e teremos milhares de pessoas acreditando no que foi dito, quer seja verdade, quer não. E ninguém pára a fim de pensar no quanto o ato de levantar uma suspeita ou dar um falso testemunho, pode prejudicar, para sempre, a vida de alguém. 

Todos nós nos sentimos sozinhos, às vezes; todos temos dificuldades na vida, e sentimos vontade de voltar para casa e nos esconder do mundo após nossas decepções. E a casa, silenciosa e sem julgamentos, nos acolhe e ampara. Zela pelo nosso sono, protege nossos corpos, abriga nossas dores. A casa pode ser nossa melhor amiga. Ela perdoa nossos erros, e sabe toda a verdade sobre nós. E por pior que essa verdade seja, ela a protege entre suas paredes da curiosidade e do julgamento alheio. 

Acho que só a casa nos conhece realmente, pois ela nos vê como realmente somos: diante do espelho, os ventres relaxados, sem tentar esconder protuberâncias; de manhã, despenteados, com mau-hálito e pijamas antigos e gastos; sentados nos nossos sofás, totalmente relaxados, quem sabe, fazendo coisas que jamais faríamos na presença de alguém, como coçar certos lugares ou mexer nos nossos narizes. Ela nos assiste em silêncio quando estamos sentados no vaso sanitário, livrando-nos de nossos despojos. Ela nos vê chorar de frustração. Ela nos escuta quando dizemos, em voz alta, nossos verdadeiros pensamentos a respeito de certas pessoas que nos cercam e a quem, por circunstâncias especiais ou necessidade de convivência, precisamos tratar bem, ignorando comentários maldosos. 

E foi isso que Michael Jackson descobriu.  Foi por isso que ele transformou sua casa em Neverland - o reino mágico, a Terra do Nunca, onde a vida poderia ser sempre bela e cheia de surpresas agradáveis. O lugar onde ele jamais precisaria crescer. E era para  casa que ele voltava quando as exigências e formalidades do mundo dos adultos o perseguiam. Quando ele não conseguia encontrar uma viva alma que pudesse ser verdadeira e olhar para ele e enxergá-lo, não como o Michael Jackson Rei do Pop, mas como o menino que precisava de alguém com quem conversar, e nunca encontrava. 







segunda-feira, 29 de maio de 2017

A Realidade





No último sábado, ao conversar com um de meus alunos sobre questões da vida, me veio à mente uma frase: "A vida é uma pergunta retórica."  Para explicar melhor, uma pergunta retórica é aquela que não tem como objetivo exigir uma resposta, mas apenas causar uma reflexão. Talvez porque, na verdade, não haja uma resposta que se adeque a todas as realidades, crenças e vontades. Quando se trata de vida, o que a maioria das pessoas deseja ao formular uma pergunta, é uma resposta que se adapte às suas próprias crenças: o religioso quer acreditar que existe uma vida espiritual, e o ateu, que ela não existe. O Budista acredita no Nirvana, o Cristão, no Paraíso, o espiritualista, no Nosso lar, e o ateu, em nada.

 E nós seguimos, afirmando isto e aquilo, sem termos certeza de absolutamente coisa alguma. 

Minha única certeza, é quando abro os olhos de manhã e sinto que ainda estou por aqui. É a água fria quando lavo a louça na pia da cozinha, o barulho da vassoura varrendo o chão, o preparo da comida que vai saciar a minha fome, os cheiros que me cercam, os momentos em que estou brincando com meus cães, ou sentada no jardim de olhos fechados, escutando o vento e as centenas de sons que me cercam, sentindo o sol, a chuva, olhando as plantas, os animais, as árvores, ou as pessoas na rua. 

Mesmo assim, gosto de criar uma realidade alternativa que me proteja. O meu Nirvana, o meu Paraíso, o Meu Nosso Lar, onde existe uma casinha pintada de azul, no meio de um pequeno jardim. Na varanda, me esperam todos os bichinhos de quem já cuidei até hoje, desde que eu era criança. Lá me aguardam também uma porção de gente que se foi antes e que eu gostaria de rever. Quando eu chegar lá, eles estarão pela casa, e me receberão. 

Mas noutras vezes, eu prefiro crer que fecharei os olhos um dia e todas as minhas lembranças serão imediatamente apagadas, juntamente com todos os sinais conscientes da minha existência. Talvez eu me transforme em uma força neutra, que será reabsorvida por alguma fonte que a re-utilizará para criar algo novo. E nada do que sou restará. Minha personalidade morrerá, desaparecendo para sempre. 

Mas também há dias em que preferiria simplesmente deixar de existir. Não ser, sequer, este material etéreo que será reutilizado na criação de algo novo. Fechar os olhos, e sumir para sempre. Não ouvir mais nada, não ver mais nada, não dizer mais nada, não pensar mais nada. Não mais ser. 

E eu caminho entre estas três respostas, não sabendo qual delas - ou se uma delas -   é a certa para a minha pergunta retórica; então eu ponho minha mão sob a água gelada, e deixo que ela escorra sobre minha pele. Vou varrer o chão, passar roupas, limpar a casa, trabalhar... e percebo que, na verdade, esta é a única realidade que eu tenho agora, a única da qual tenho certeza que faço parte, e se assim é, pode ser a única que realmente tem importância neste momento. 




segunda-feira, 22 de maio de 2017

Para os Dias Chuvosos





A maioria das pessoas que conheço acham os dias chuvosos um aborrecimento. Eu não. Sem contar com a afirmação de que a chuva é absolutamente necessária para nossa sobrevivência, existem outros motivos para eu gostar dela. Porque quando chove, eu faço algumas coisas que me deixam melhor.

Gosto de escutar música e ficar à janela olhando a chuva cair. É incrível como as lembranças boas chegam nesses dias... eu me recordo dos tempos em que eu e minha mãe, sozinhas em casa enquanto o resto da família estava trabalhando, ficávamos à janela juntas em dias chuvosos. Nós olhávamos o pessegueiro, as gotas de chuva nas flores da Esponjinha, os pequenos córregos que se formavam no nosso quintal. Muitas conversas surgiam naqueles momentos. Ela me falava de sua infância. Mal sabia que estava me fornecendo material para escrever um dos meus contos, "O Anjo no Porão." 

Também era nos dias de chuva que eu gostava de escrever em meu diário, quando era apenas uma adolescente. Era ali que eu escutava meus vinis do Queen e ficava me lembrando do meu 'crush' na escola, e tecendo fantasias sobre o dia em que ele viria falar comigo e confessar que gostava de mim (dia que nunca aconteceu). 

Nos dias de chuva, fazíamos doce de abóbora e também bolinhos de chuva. Sentávamos na nossa sala, ligávamos a TV e assistíamos a velhos filmes dos anos 40 na Sessão da Tarde, ou então aos festivais Jerry Lewis. 

Minha mãe tinha uma velha máquina de costura Singer, e ela fazia batas para mim nos dias de chuva. Eu adorava uma que tinha a pala estampada com joaninhas vermelhas sobre um fundo branco. Ela também aproveitava o tempo para costurar botões no lugar, cerzir joelhos rasgados ou consertar bainhas esfiapadas. 

Eu tinha que brincar dentro de casa, e costumava enfileirar minhas bonecas e ministrar aulas imaginárias. Ou então fingia que estávamos em um clube, e que éramos amigas. Também gostava de usar minha aquarela e meus lápis coloridos, e ficava horas desenhando.

No verão, quando chovia forte, assim que a chuva passava, minha mãe nos pedia que fôssemos até o bar ali perto para comprar pão ou outra coisa qualquer, e a gente voltava caminhando por dentro da enxurrada que corria junto ao meio-fio, arrastando nossas sandálias Havaianas, que às vezes tinham as tiras arrancadas pela força da água, e nós parávamos para colocá-las no lugar. 

E quando o tempo chuvoso finalmente passava, após alguns dias de muita água, as crianças começavam a sair de suas casas; chamávamos umas às outras, convidando para brincar lá fora, ou para jogar bola na rua. De repente, nós emergíamos das casas cujas janelas começavam a ser abertas, e as mães também apareciam, estendendo cobertas e colchões para arejar ao sol e enchendo os varais de roupas lavadas. 

Como eu poderia não gostar de um dia de chuva?

Hoje eu os aproveito para fazer tarefas caseiras que são desagradáveis em dias de calor, como passar roupas, por exemplo. Também estendo uma velha toalha no chão e escovo meus cachorros até que eles durmam. Às vezes eu vou para a cozinha com o livro de receitas e faço alguma coisa diferente. Se der tempo, assisto a um bom filme ou leio um pedacinho do livro que estiver lendo no momento. 

Há possibilidades; dias de chuva podem ser vividos muito intensamente. Sem contar que são os melhores dias para se ficar na cama com o cara-metade, batendo papo e...



sexta-feira, 12 de maio de 2017

Casa Natural - Para Quem Ama casas




Chegaram os livros do arquiteto Carlos Solano, que eu encomendei!

Tratam-se dos dois volumes de Casa Natural - em oferta para o Dia das Mães - para adquirir, escrevam para o autor através do e-mail:

livroscarlossolano@gmail.com.

Primeiras impressões: os livros têm uma linda apresentação: as cores, as ilustrações e fotografias, as capas. Ficaram lindos! Dá gosto ler uma obra cuja diagramação ficou tão caprichada.

 No Volume I, que fala de seu personagem (será mesmo que ela não é real?) Dona Francisquinha, uma novidade que achei criativa: você lê a primeira parte do livro, "Quitutes", que contém receitas muito bacanas, e depois, ao chegar na metade, você fecha o livro e o vira de cabeça para baixo para ler a segunda parte, "Receitas", que tem dicas maravilhosas em forma de crônicas sobre como tornar a casa mais harmoniosa e melhor.

Comecei pelo livro II, Terapias da Casa, que traz dicas sobre Feng Shui e harmonização de espaços. Amando cada página. 

A entrega foi muito mais rápida do que eu esperava, e o custo do frete foi de dez reais. O pagamento foi feito através de depósito em conta corrente. Escrevam para o endereço acima, e vocês receberão as instruções. Um ótimo investimento para quem gosta de ler crônicas muito bem escritas e aprender mais sobre casas. Duvido que alguém não goste.








terça-feira, 9 de maio de 2017

HYGGE




Hygge (pronuncia-se huga) é uma palavra dinamarquesa que não tem tradução na nossa língua. Ela pode significar um estilo de vida no qual as pessoas são respeitadas, pois há boas condições de vida e de saúde, e também consciência política, tanto do povo quanto dos políticos, o que implica solidariedade e compreensão aos demais. Todos sabemos que a Dinamarca é um dos países com melhores índices de desenvolvimento no mundo todo, onde as pessoas são mais felizes e têm condições de vida excelentes; tudo isso simboliza o estilo Hygge de viver.





Segundo Mikkel Larsen, de 42 anos, do departamento de comunicação da embaixada da Dinamarca em Madrid, à Verne, “É difícil encontrar uma palavra; seria uma entre bem-estar, estar numa situação em que te sentes confortável, relaxado e livre”

Pelo que encontrei em vários sites sobre o assunto, Hygge é um conceito que inclui também o despojamento do Wabi-sabi chinês, que passa pela aceitação da transitoriedade de tudo o que existe, valorizando as coisas antigas e até mesmo, defeituosas ou quebradas. Segundo a Wikipedia, Wabi-sabi “Refere-se ao viver uma vida comum com o despojamento, com a insuficiência ou com a imperfeição, e está relacionado às doutrinas de desapego do Zen budismo. Estes conceitos estão representados na produção artística através do rústico, do imperfeito, do monocromático e do aspecto natural. Através de wabi e sabi é possível o alcance do vazio da mente que traz tranquilidade. wabi significa "quietude" e sabi "simplicidade", e expressam-se através da querença que os japoneses possuem por simplicidade e subtileza.”



Comparando os dois – Hygge e Wabi-sabi – consegui encontrar pontos em comum, pois ambos primam pela simplicidade e a solidariedade, valorizando coisas simples como a vivência caseira e acolhedora, as reuniões entre amigos em volta da lareira, as conversas amenas ou um churrasco para poucas pessoas.




Algumas coisas que são consideradas Higgye, de acordo com o livro “The Little Book of Hygge: The Danish Way to Live Well”, de Meik Wiking:

-Luz de velas
-A lareira acesa, e seu crepitar
-Boa música, suave e agradável aos ouvidos
-Aconchego caseiro, ambientes agradáveis e simples
-almofadas, mantas, o inverno, o frio em si
-Elementos naturais na decoração (madeira, plantas, cerêmica)
-Um bom vinho
-Roupas escuras – principalmente, pretas – e cachecóis



Descobri que sou Hygge. Adoro o frio, adoro luz de velas e iluminação indireta, adoro vinhos, reuniões caseiras com poucos amigos, coisas que não são novinhas em folha, ambientes aconchegantes e simples. 

O inverno está chegando. Não existe uma época melhor para sermos Hygge!





Quando a Casa Não é Nossa





Desde bem pequenos, somos ensinados pelos nossos pais a nos comportarmos diferentemente ao estarmos na casa de outra pessoa. Nunca devemos nos sentir tão à vontade na casa de outrem quanto nos sentimos na nossa - por mais que nosso anfitrião nos diga para ficarmos à vontade. Minha mãe sempre dizia coisas como: 

"Não mexa em nada! Não corra, nem faça barulho. Ao sentar-se, não se esparrame no sofá e mantenha os pés afastados do assento ou da mesa de centro. Não diga palavrões. Não fale alto demais. Ao comer, seja educada, e não se sirva de porções grandes. Não interrompa a conversa dos adultos. Diga sempre 'com licença', 'obrigada' e 'por favor.' Não coloque copos molhados sobre mesas de madeira; use o porta-copos." E várias outras recomendações. 

Mas ao crescermos, nós às vezes nos esquecemos destes detalhes. Não é nada agradável ter uma visita que não sabe se comportar, e que ao sair, deixa aqueles enormes torrões de terra sobre o piso ou o tapete da sala, marcas de copos pela mesa, louças espalhadas nos lugares mais estranhos (por exemplo: atrás do sofá, no chão, sobre a estante da sala) papel de bala no piso, e pior de todas as coisas, cheiro de cigarro e guimbas pela casa toda! É terrível, ao usarmos o banheiro de nossa casa - sendo não fumantes - descobrirmos que alguém o usou para fumar. As toalhas fedem à fumaça, e às vezes, há cinzas e guimbas dentro da lixeira, o que faz com que o cheiro permaneça. 

Quando se tem crianças, as recomendações devem ser parecidas com aquelas que minha mãe me fazia; se elas forem pequenas demais para compreender, é melhor que haja um adulto tomando conta e controlando o acesso do pimpolho aos objetos quebráveis e às escadas ou outros locais perigosos. Não é nada sensato ou gentil deixar a segurança da criança à cargo do anfitrião. 

Certa vez, recebi alguém que tinha um menininho; bem, tenho escadas em casa, e o menino ainda era bem pequeno. A casa ainda estava nos acabamentos finais, e as escadas estavam ainda sem o corrimão. A todo momento, eu era obrigada a  sair a procura do pimpolho, que cismava em subir as escadas, cujos degraus eram ainda altos demais para ele, correndo o risco de se machucar seriamente; a mãe? Não estava nem aí... Também tive que remover alguns objetos da mesa de centro para que ele não os quebrasse.

Em outra ocasião, enquanto eu lidava com bandejas e comes e bebes, cheguei à sala de jantar e deparei com a gaveta da cristaleira aberta e meus panos de copa, limpos e passados,  espalhados do lado de fora enquanto a criança brincava de pisoteá-los e usá-los para limpar o chão. A mãe? Nem aí...

Lembro-me de uma vez em que surpreendi um rapaz, que tinha sido contratado para prestar um serviço, à porta da minha geladeira servindo-se de um copo de suco. Ele não tinha me pedido licença, e nós não tínhamos nenhuma intimidade. Eu parei e fiquei olhando, a boca aberta, sem saber o que dizer diante de tanta falta de educação, até que me controlei e finalmente  pedi a ele que quando quisesse beber alguma coisa, pedisse antes. Arrematei explicando que eu não gostava que abrissem minha geladeira sem a minha permissão.

Também acho que deveria haver um cartaz de "proibido", dirigido às visitas,  à porta do quarto de bebês recém-nascidos: 

-Proibido pegar no colo sem a autorização da mãe.
-Proibido ficar horas e horas prolongando a visita. (Mães de recém-nascidos dormem muito pouco à noite, e precisam descansar)
-Proibido falar alto.
-Proibido tossir ou espirrar, ou chegar perto do bebê se estiver gripado.
-Proibido sacudir a criança.
-Proibido tocar no bebê sem lavar bem as mãos.
-Proibido falar em cima do rosto da criança.
-Proibido tocá-lo se você estiver cheirando a cigarro.
-Proibido perguntar "E quando você vai dar um irmãozinho para ele?"

E acima de tudo:

-PROIBIDO BEIJAR!!!

A casa dos outros não é a nossa casa. Acho que compreender este conceito e levá-lo ao pé da letra pode significar amizades mais duradouras e reuniões mais agradáveis. 




terça-feira, 2 de maio de 2017

Florbela em Casa







Hoje, eu vou de Florbela. Um lindo soneto que fala de casa e de amor:


A NOSSA CASA


A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constroi-a, num instante, o meu desejo!

Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?

Sonho...que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,

Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro - tão bom! - Dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim...







domingo, 23 de abril de 2017

Perfeição






Durante uma aula de conversação (por falta de imaginação naquele dia, acabei procurando por um assunto no Google, a fim de esquentar minhas aulas de inglês) deparei com a seguinte pergunta: "Se você pudesse voltar atrás e dar a si mesmo um conselho, o que você diria ao seu 'eu?"

Pensei, e logo me veio à cabeça o seguinte: esqueceria essa coisa de tentar ser perfeita. Verdade. Passei grande parte da minha juventude não usando saias porque me sentia insegura quanto às minhas pernas - que hoje não são nem mais belas nem mais feias que as pernas de outras mulheres, e não eram, naquele tempo, nada feias - e também não gostava de usar sandálias, pois achava meus pés feios, e certa época, devido a problemas hormonais, quando os pelos do meu corpo desandaram a crescer mais que deveriam,  eu depilava as pernas duas vezes por dia e morria de vergonha dos meus braços cabeludos. Felizmente, o problema hormonal foi corrigido através de medicamentos. O médico explicou que às vezes, durante a adolescência, as meninas podem ter um desequilíbrio hormonal. Mas eu morria de vergonha de usar blusa sem manga. Me preocupava demasiadamente com o que as outras pessoas pensariam de mim: queria ser perfeita. Achava que as outras meninas eram perfeitas, menos eu. Superei isso, graças a Deus.

Depois, quando tive a minha primeira casa, também queria que ela estivesse sempre imaculadamente limpa; se soubesse que viria uma visita, passava o dia polindo, lavando, esfregando, varrendo, arrumando. Não que a minha casa estivesse bagunçada quando não recebia visitas; muito pelo contrário; é que eu achava que elas "reparariam" e sairiam falando, caso não estivesse tudo perfeito.

Mas nesta casa onde eu moro hoje, eu relaxei; não quis nada brilhando. Aboli os sintecos e móveis laqueados. Dei preferência ao piso rústico que não precisa de cêra, e aos móveis rústicos de aspecto envelhecido. Quando tenho visitas, minha única preocupação é que a conversa seja boa, o ambiente esteja acolhedor e a comida seja gostosa. 

Ainda bem que eu aprendi o quanto os perfeccionistas são chatos. Não faço mais questão de perfeição, e até me sinto desconfortável quando vejo alguém tentando fazer alguma coisa sem nenhum defeitinho. 

O jardineiro esqueceu de aparar uma cerca viva? Não faz mal! Há uma poeirinha por trás da mesinha de cabeceira? Quando eu tiver tempo, eu limpo. Cometi um erro ao digitar um texto? Paciência! O que importa, é o conteúdo. Por isso, quando vejo pessoas na internet reclamando de erros de grafia em textos, fico com pena delas; como são chatas as pessoas perfeccionistas! Sei disso, pois já fui uma delas. 

Deixei de publicar minhas coisas por muitos anos, só por medo de ser julgada! Escrevia poesias e histórias compridas, bacanas e cheias de imaginação, mas por medo de ser julgada ou ridicularizada, assim que eu acabava de escrevê-las, eu as escondia, lia depois de algum tempo e então... eu as queimava!

Hoje em dia, eu simplesmente não me importo mais com isso: recebo em meus blogs da mesma maneira que recebo em minha casa: entrem, sejam bem-vindos, sentem-se, relaxem, vamos conversar um pouco. Fiquem à vontade. E se não gostarem de alguma coisa, simplesmente, saiam  pela mesma porta pela qual entraram. 




terça-feira, 18 de abril de 2017

Música Na Casa






Adoro faxinar a casa escutando música. Geralmente, coloco alguma coisa alegre e mais agitada enquanto limpo, arrumo e varro. Confesso que coloco o som um pouquinho alto, para que eu possa escutar mesmo estando longe. 

Depois, quando a faxina termina, eu ponho uma seleção de músicas bem suaves, acendo um incenso e ando pela casa, 'curtindo' o resultado.

A música não é apenas uma coleção de sons e instrumentos musicais que são colocados juntos em uma melodia. Música é bem mais do que tudo isso. De acordo com o site Portal Ciências e Cognição (cienciasecognicao.org),


"A música possui um alto potencial terapêutico ainda não conhecido em sua totalidade por conta da falta de estudos na área da musicoterapia. Essa ciência já foi usada para melhoras cognitivas em doenças como Parkinson, demência senil e  hiperatividade. Na epilepsia foi comprovado por meio de um estudo que incluiu 11 crianças de Taiwan com idade entre 2 a 14 anos com epilepsia refrataria. O estudo comparou as crises 6 meses antes do tratamento e 6 meses durante a exposição. Foi constatado em 73% das crianças obteve uma melhora de 50% nas crises e em 2 pacientes a inexistência de crises durante o tratamento. A música pode promover a liberação de dopamina inundando assim os sistemas dopaminérgicos receptores de D2. Em pacientes com epilepsia do lobo temporal, a inundação de dopamina pode potencialmente se comportar como um anticonvulsivante."

Antigamente, nós tínhamos os discos de vinil, que podiam ser caros, além de pesados, delicados. tais discos continham às vezes doze faixas musicais - seis de cada lado - e se não tomássemos cuidado, eles poderiam arranhar-se, resultando em uma repetição constante do trecho no qual o arranhão se encontrava. 

Mais tarde, vieram os CDs. Cabiam mais músicas neles, e o som era mais limpo, embora pudessem ser arranhados, como os vinis. Depois, mais recentemente, chegaram os pendrives, onde, dependendo de quanto espaço de armazenamento possuíssem, poderíamos guardar mais de mil músicas - ou mais. Ainda são muito usados, e eu tenho os meus. a desvantagem, é que eles quebram e estragam com muita facilidade, e perdemos todas as músicas se não as guardamos também em outras mídias. 

No momento, estou me acostumando aos sites e aplicativos  de música, como o Spotify, onde podemos escutar de tudo, desfrutando das playlists que o aplicativo oferece ou então escolhendo as músicas e formando as nossas próprias. Pagando apenas $16,00 ao mês, temos acesso ilimitado a qualquer tipo de música, de qualquer país ou gênero musical. E ainda podemos escolher músicas para fazer  download, e elas estarão disponíveis para ouvirmos a qualquer momento, mesmo sem conexão de internet. através de conexão bluetooth, podemos 'jogá-las' de nossos dispositivos móveis para nossos aparelhos de som, desfrutando de um som melhor qualidade.

Música é movimento, é vida, sentimento. Portanto, escolha  a sua 'playlist' e divirta-se! 





segunda-feira, 10 de abril de 2017

DESAPEGANDO DE ALGUNS LIVROS





Muitos pensam que eu não gosto mais dos livros de papel, só porque publiquei livros virtuais e comprei um Kindle, que adoro e acho muito prático, além de bem mais ecológico e econômico. Mas faço uso das duas plataformas de leitura, sem preconceitos. Para mim, o que importa, é o que está escrito, e não onde está escrito.

Há alguns dias, vi um post no Facebook, pedindo doações de livros para uma feira. Eu vinha adiando uma arrumação nas minhas estantes de livros, que ficam sob as escadas que dão no andar superior, e achei que seria uma ótima oportunidade de, não apenas ajudar a quem precisa, como também de abrir um pouco mais de espaço nas minhas prateleiras. 

Sentar-me no meio de todas aquelas pilhas de livros, olhar as capas, tirar o pó e separar os que ficariam dos que iriam embora, foi cansativo e, ao mesmo tempo, agradável. Um exercício de desapego e também de reflexões, que surgiram ao reler algumas páginas. Confesso que havia alguns romances cujo enredo eu nem recordava mais. Pensei em guardá-los para reler mais tarde, mas considerei: se eles estavam ali há tantos anos sem que eu sequer me lembrasse da existência deles, é porque não são necessários!

Não foi muito fácil desapegar-me de "O Vermelho e o Negro", de Stendhal, uma edição de capa dura vermelha com lombadas douradas. Mas já perdi a conta das vezes em que li aquele livro, e de quantas vezes chorei por Julien Sorel. 

Desapegar é necessário. A gente se sente bem mais leve depois. 

Quando terminei, as estantes estavam limpas e organizadas. Ficaram aqueles que já li e reli várias vezes, e que gosto de reler de vez em quando. Os que acho importantes para mim, de Feng Shui, psicologia, espiritualidade e também de lendas antigas, que adoro.

 Comecei a carregar as pilhas para a garagem - eram muitos livros, mais do que eu pensei- subindo e descendo as escadas do jardim várias vezes. Quando terminei, estava suada, empoeirada, cansada e com os músculos doloridos. No dia seguinte, a moça - uma ex-aluna minha - passou para levá-los embora. Ajudei-a a colocá-los no carro,  despedindo-me deles de vez.

Espero que as pessoas que os comprarem fiquem felizes, e aproveitem a leitura.




quinta-feira, 6 de abril de 2017

A Vingança




Ontem à noite estávamos - eu e meu marido - lendo um trecho do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo. Temos feito isso todas as noites: escolhemos um livro entre alguns selecionados para esta atividade, e depois, abrimos uma página ao acaso, lendo em voz alta e refletindo sobre o que lemos. Ontem, o livro escolhido foi o já citado, e a página aberta, a que falava sobre vingança.

 Ninguém aqui é santo, e a maioria das pessoas pode ter alguma reação intempestiva ao ser afrontado ou ofendido. Eu, por exemplo, embora esteja tentando muito mudar isso, posso reagir intempestivamente e dar uma resposta curta e grossa a alguma abordagem ofensiva, mas depois, eu esqueço; não fico guardando ódio ou pensando em vingança. Acho que as grandes questões dos relacionamentos devem ser resolvidas à medida em que aparecem com uma boa conversa, e após resolvidas (ou não), devemos seguir em frente e focar nas coisas boas, no que realmente vale a pena e nos faz felizes, e não em vinganças. 

É tão mais fácil pedir desculpas ao cometermos um erro, ou tentar conversar e entender o que levou uma pessoa a agir de forma que nos desagradou, mas ao invés de sentar e conversar, as pessoas estão guardando e alimentando o ódio e transformando-o na força destrutiva da vingança, partindo laços que são importantes, afastando pessoas que são ou poderiam transformar-se em amigas verdadeiras. Desconsideram o lado bom do relacionamento, não levam em conta o quanto estarão perdendo ao guardarem suas mágoas para usá-las em uma vingança ao invés de tentarem conversar e esclarecer o assunto.

Algumas pessoas orgulham-se de suas vinganças, contando aos outros sobre elas, achando-se muito espertas e inteligentes. Gastam boa parte do seu tempo e da sua energia planejando, observando e armando o bote para finalmente pular no pescoço de suas vítimas com toda a fúria e toda a negatividade que puderem despejar. Fico pensando no quanto estas pessoas despendem um tempo precioso nesta rotina infame, ao invés de se cuidarem, tratando da saúde física, mental e espiritual. 

Percebo também que ao longo do tempo, estas pessoas, por mais bonitas que sejam, vão mudando. Cada vez mais, seus rostos adquirem um aspecto taciturno e infeliz, e sua postura vai tornando-se rígida e atarracada como se estivessem prestes a saltar sobre alguém a qualquer momento. O tom de voz também muda, tornando-se mais grave e gutural. Passam a desconfiar de todos a sua volta, reagindo com raiva e agressividade a qualquer um que tente aproximar-se e que elas achem que de alguma forma as ameacem ou às suas posições na vida.

Conheci uma moça que era linda em todos os aspectos: morena, cabelos negros e longos, alta, um sorriso muito branco. Mas ela fez tantas maldades contra pessoas - especialmente pessoas que a ajudaram - que acabou tornando-se feia. Fiquei impressionada com a mudança que vi nesta moça alguns anos após conhecê-la, ao passar por ela na rua. 

No livro que lemos há um trecho que fala no quanto as pessoas se afastam de gente assim, e que de repente elas se encontram sozinhas e não sabem o porquê. Nem sequer tomam um pouco de seu tempo a fim de meditar e tentar entender o que aconteceu, fazendo uma retrospectiva sobre as pessoas que ofendeu e prejudicou com a sua vingança, e muitas vezes, apenas porque tais pessoas não agiram como elas desejavam.

As religiões, em sua maioria, dizem que aquilo que mandamos para o universo,  nos é devolvido em triplo. Acredito muito nisso. O ocultismo diz que tudo o que abraçamos no mundo oculto, nos abraça de volta. Fico aqui imaginando quais braços estão em volta destas pessoas, e quais energias pesadas elas estão atraindo para elas mesmas.









quarta-feira, 29 de março de 2017

SOBRE CURIOSOS BEM INTENCIONADOS






Eu estava sentada no sofá daquela casa, sem pensar muito em nada. De repente, a pergunta inesperada – pois sei que a pessoa que a formulou não tem nenhum interesse solidário na minha vida, e nem faz questão absoluta de me ver feliz; no rosto dela, um ar forçado de preocupação: “Está tudo bem com você?”  Eu respondi que sim, e continuei em silêncio. A conversa continuou em seu ritmo anterior, e dali a alguns minutos, ela repetiu a pergunta, obtendo a mesma resposta monossilábica. Ainda o fez mais uma vez, e após obter a mesma resposta, acrescentou: “É que eu estou te achando tristinha hoje... está tudo bem mesmo?” Eu ri, e disse que estava bem e que não estava triste, encerrando o assunto.

Em outra ocasião, quando fazia obras na minha nova casa, um desses “amigos” interessados veio dar uma olhada. Após percorrer o espaço, fazendo alguns elogios pouco convincentes, começou a fazer observações bem intencionadas: “No lugar de vocês, eu colocaria um jardim de inverno ali (já havia um lavabo e as escadarias para o andar superior) e moveria as escadas mais para lá. Também teria feito a cozinha maior e a área de serviço menor, e blá, blá, blá...” Quando ele foi embora, ficamos andando pelo espaço, calados, ainda afetados pelos comentários dele. Suas críticas veladas nos pegaram despreparados, e quase arruinaram nosso dia. 

Eu e meu marido caminhávamos pela Rua 16 de março em uma linda tarde de sábado, quando a moça bonita e simpática nos parou na calçada, e cheia de sorrisos, começou a reclamar de algo que estava no prédio onde meu marido trabalha (ela mora em frente) e que a incomodava. Ora, meu marido apenas trabalha no prédio, não é síndico ou morador, e não cabe a ele resolver qualquer problema referente a ele. Após falar mal de uma ou duas pessoas, ela soltou mais uma ou duas observações ferinas e se foi, perdendo-se entre a multidão que passava naquela calçada, carregando seus sorrisos sinceros e distribuindo-os entre os que encontrava. Ficamos caminhando em silêncio durante algum tempo, após o qual só pude observar: “Que carga pesada tem essa pessoa!”

Existem pessoas assim, infelizmente. Elas deixam no ar uma observação maldosa – mas tão pequena e casual, que na hora “h” nem nos conscientizamos dela – mas que depois ficam martelando nossos pensamentos, e nos vemos aborrecidos sem saber muito bem qual o motivo. Quem nunca se pegou de mau-humor de repente, sem que houvesse uma explicação para tal? Se prestarmos atenção e fizermos uma curta retrospectiva das pessoas com quem estivemos, talvez encontremos o motivo em um desses comentários “bem intencionados.” E na maioria das vezes, quem o fez, o fez de propósito, a fim de minar sua autoconfiança e cavar um buraco na sua autoestima por onde suas setas de veneno poderão entrar mais facilmente.

Meu primeiro emprego, aos 18 anos de idade, foi em uma das lojas de sapatos que pertencia a uma família próspera, distinta e muito tradicional aqui na minha cidade. A proprietária – uma mulher que naquela época tinha a idade que tenho hoje – um dia me disse: “Ana, quando alguém nos pergunta se estamos bem, devemos dizer apenas que estamos mais ou menos, ou que está tudo indo. Nunca entre em detalhes, nunca dê muitas explicações, porque na maioria das vezes, quem faz esse tipo de pergunta está apenas curioso, só quer saber da sua vida particular, e não é bem intencionado. Nunca devemos entrar em detalhes sobre nossa prosperidade para evitar despertar inveja. Também não devemos fazer confissões quando estamos mal, para não despertar fofoca.” Quando ela me disse aquilo, eu tinha apenas 18 anos, e não compreendi; como não compartilhar com as pessoas que gostam da gente os nossos momentos felizes, as nossas conquistas? Anos depois, eu compreendi o que ela estava querendo me dizer. 

Nem sempre, as pessoas que estão em volta da gente realmente nos apreciam. Elas estão apenas curiosas. Ou então, ao perguntarem sobre nossas vidas, só querem nos comparar a elas, para ver se somos tão infelizes quanto, ou para diminuir as nossas conquistas e alegrias através de comentários sutis e totalmente maldosos. 

É importante identificar estas pessoas – elas podem estar entre os amigos, colegas de trabalho e até mesmo membros familiares – e evitar fazer comentários muito otimistas ou pessimistas sobre as nossas vidas. Por trás de uma simples pergunta casual, pode haver uma seta envenenada. Por que nos expormos ao veneno da curiosidade alheia?






terça-feira, 28 de março de 2017

#EuNãoTenhoGatos






Eu ali, concentrada, dando minha aula. De repente, meu aluno indaga: "Ué, Ana... você tem gatos?" Eu olho para ele (eu estava escrevendo no quadro) e respondo, surpresa; afinal, aquela pergunta estava totalmente fora do contexto da aula: "Não! Por que?" Ele aponta para a porta da sala de aula, e diz: "Porque tem um gato bem ali!"


Olho para fora, e vejo essa gatinha passeando pela minha sala de jantar. Logo a reconheci, pois numa noite em que meu marido ainda não estava em casa, ela me deu um baita susto: passei pelo corredor, e dei com aquela sombra sinuosa e silenciosa descendo as escadas. Eu me arrepiei até o último ossinho da coluna, e ela estancou entre um degrau e outro, me olhando, as pupilas dilatadas em estado de alerta. Esclarecida a situação, ainda ficamos ali paradas, nos olhando e testando nossas reações. De repente, eu sorri, e esfreguei os dedos da mão, chamando-a. Ela ergueu a calda, e acabou de descer as escadas, ronronando, e veio para o meu colo.




Desde então, ela vem me fazendo visitas frequentes. Quando havia uma moça aqui me ajudando na limpeza, chego na varanda e a vejo sentada naquela posição de iogue, olhando a moça limpar as vidraças da porta. Explico que ela não é minha, e ela diz: "Pensei que fosse! Está aí há algum tempo, me vigiando..." Quando olhei de novo, ela já tinha ido embora.


É bom tê-la aqui de vez em quando, sabendo que ela logo vai embora. Mas ela nunca tinha se deitado na cama do quarto de hóspedes antes. Pelo menos, não que eu tenha visto. E está chovendo muito lá fora; como eu poderia abrir a janela e mandá-la sair, debaixo desse aguaceiro? Seria cruel. E ela sabe disso. Já percebeu que pode me manipular. 


Como vocês podem ver, ela não tá nem aí pra mim...


Só espero que ela seja castrada - tem dono, pois está muito bonitinha e bem tratada. Se ela não for, tomara que não venha trazer bebês para eu cuidar.


Não quero ter netos.