terça-feira, 25 de julho de 2017

Cantos





Toda casa tem um canto especial - geograficamente, e também um canto que soa aos ouvidos de quem entra. Se somos sensíveis, logo identificamos os cantos de uma casa (ambos: o geográfico e o sonoro). Há lugares que nos acolhem e nos abraçam, enquanto outros nos repelem; uma casa é feita de cores, objetos, sons, luzes, sombras. Mas principalmente, uma casa é feita de energia.

E de onde vem essa energia? Principalmente, de nós próprios. Ela vem de dentro da gente, nós a emanamos e ela deita sobre as coisas, afetando o ambiente. Um local onde acaba de haver uma briga, por exemplo, fica como que infectado por partículas de energia pesada. Li uma vez que a fim de dispersar tais energias, é bom queimar um bulbo de cebola. 

Apesar de gostar muito de rock, principalmente quando estou fazendo uma limpeza mais pesada e detalhada, ouvi dizer que não faz bem escutar certos tipos de música. Mas eu vou lá no meu aparelho de som, escolho a playlist com rock para despertar o que estiver encruado, e após a limpeza, acendo uma varetinha de incenso e coloco uma música bem suave. Acho que se a gente souber o que a letra de uma música diz, não há tanto problema. algumas músicas são mais barulhentas, mas inofensivas. 

Saibamos cuidar dos cantos da nossa casa. E isso nada tem a ver com o quão luxuosa ou bem decorada ela é. Tem a ver com quanto amor colocamos dentro dela, quantos silêncios tranquilos, quanto aconchego.










quinta-feira, 13 de julho de 2017

Relógios





Meu sogro tinha mania de relógios, e acho que eu também. Só na minha salinha de aula, tenho dois; tenho também um no corredor do andar inferior, outro no corredor do andar superior, outro na cozinha, um na área de serviço, e outro na sala de estar...e um em cada quarto de dormir. Ao todo, são 9. Se me perguntarem porque, direi que eu gosto de saber que horas são...

Historiadores crêem que o primeiro relógio foi criado na Judéia, por volta de 600 A.C. Era um relógio de sol. Pena que ele não funcionava à noite, e nem quando chovia ou estava nublado! Depois, vieram as ampulhetas, mas creio que não eram muito precisas... e um tanto grandes para se carregar de lá para cá!

Mais tarde, vieram os relógios de pêndulo (aperfeiçoado por Galileu), de bolso (inventado por Pedro Heilen, por volta de 1500 em Nuremberg)  e de pulso (alguns crêem que foi inventado por Santos Dumont, mas na verdade, foi Patek Philippe, no final do século XIX quem o inventou... mas há controversas). 

Não gosto muito de relógios de pulso. Mas adoro os relógios de parede! Adoraria ter um daqueles relógios cuco, dos quais sai um passarinho ao soar das horas. Amo escutar o tique-taque dos meus relógios enquanto ando pela casa à noite, quando tudo está em silêncio. Dá a impressão de que tudo está certo, que as coisas vão bem. O tempo não parou, e o mundo continua girando.

Também sou daquelas que ama dormir escutando um relógio barulhento, enquanto a maioria das pessoas que conheço sentem-se incomodadas por tal ruído. Tenho a impressão, ao dormir ouvindo o barulho do relógio, que estou sendo hipnotizada aos poucos por Morfeu. 

Dá uma paz de espírito...











terça-feira, 11 de julho de 2017

LAR








Lar.

A casa da gente. O lugar onde estão as ferramentas que usamos para escrever a nossa história. Nosso local de descanso e recuperação. Nenhum lugar no mundo poderá ser chamado assim, ou ser sentido desta forma. 

Estive pesquisando a origem da palavra "LAR": Do latim Lar, Laris (espírito protetor da casa e da família). Achei linda essa palavra! 

Na antiga Roma, Lares eram espíritos que habitavam uma casa, e que poderiam proteger ou prejudicar os seus moradores. Havia o Espírito Vesta, advindo do fogo - muito importante nos antigos lares romanos, onde mantinha-se  o fogo sempre aceso, a fim de agregar as pessoas ao seu redor. As oferendas aos deuses - comida, sangue, vinho, etc..., - eram colocados diante do fogo.

Sobre os Lares, achei este trechinho na Wikipedia, e trago para vocês:

Na comédia Aulularia de Plauto (c. 230-180 a.C.), pode-se perceber o papel dos Lares no ambiente da família:

"Eu sou o Lar da família que mora na casa
donde me vistes sair.
É esta a casa que eu habito já há muitos anos e é ela que eu tenho protegido,
Tanto para o pai, como para o avô, daquele mesmo que hoje a possui." 

Bonito, não?

Existem várias entidades, ou espíritos, considerados espíritos do lar, tanto para o interior quanto para o exterior da casa. Quem desejar saber mais sobre eles, basta ir até o site Acampamento Júpiter: http://aj-rpg.weebly.com/lares.html

Os espíritas acreditam que alguns espíritos permanecem nos lugares após a morte de pessoas, e passam a assombrá-los ou tornam-se espíritos protetores. Na Bahia, acredita-se em 'Famaliás', ou 'espíritos familiares.' Os tais demônios das garrafas, que podem conceder desejos aos seus 'amos.' 

Mas quer você acredite ou não nos Lares como espíritos, tenho certeza de que você concordará comigo nesta afirmação, que embora seja um clichè, é a mais pura verdade: Não existe nenhum lugar como o lar. There's no place like home.









quarta-feira, 5 de julho de 2017

Baixas Temperaturas








Finalmente, um inverno para chamar de meu! Eu já estava com saudades dos invernos petropolitanos. Ficava pensando que o aquecimento global estava realmente acabando com tudo... só que não! 

Hora de desengavetar cachecóis, mantas, meias e blusas de lã. Hora de engraxar as botas e os sapatos acolchoados por dentro. 

Hora também de pensar naqueles que não têm nada disso. Já fez uma geral no seu armário a fim de escolher algumas peças para doação? Se ainda não, já passou da hora. 

Mas além do frio, há outras coisas que me agradam no inverno; as roupas macias e quentinhas, estar enrolada nelas, me faz sentir bem. Sem contar que eu faço as coisas na casa sem me sentir cansada, e sem o inconveniente do suor!

 O inverno também é o tempo da escuridão - que se faz notar mais nos países europeus do que por aqui, onde os dias também são mais curtos nessa época, só que não tanto quanto lá. A escuridão nos leva a desacelerar mais cedo. Hoje, às cinco da tarde, já estava escuro por aqui. Hora de fechar as janelas e trancar a casa. E enquanto eu seguro uma enorme xícara de chá quente entre as mãos, para aquecê-las, eu olho o dia terminando e começo a me lembrar de uma porção de coisas... 

E a planejar outras. Porque o frio nos leva à reflexão. Não tem aquela intensidade frenética - ou aquele frenesi intenso - do verão. Hora de nos enroscarmos em alguma cama ou poltrona. Uma época em que o tique-taque dos relógios da casa parecem soar mais alto.

Adoro. E você?